Este artigo foi baseado no Trabalho de Conclusão de Curso “Metodologia para especificação de conjunto de aterramento temporário para redes ou linhas áreas” de Pedro Fabossi e Rafael Silva Alípio
O aterramento temporário é uma das etapas mais críticas em qualquer procedimento de manutenção em redes elétricas desenergizadas. Ele representa a fronteira entre um ambiente controlado e um possível acidente grave causado por energização acidental do circuito.
Embora existam diferentes maneiras de montar um conjunto de aterramento temporário (ATR), a escolha da configuração adequada tem impacto direto na vida do eletricista. Entre todas as opções, o uso do trapézio tipo sela – criando um ponto intermediário de terra na estrutura – é a configuração mais segura e amplamente recomendada para neutralizar riscos associados à ausência do condutor neutro, alta resistência do solo e tensões perigosas no local de trabalho.
Este artigo apresenta uma análise sólida, baseada em literatura técnica, estudos numéricos e experiências de concessionárias, enfatizando por que o aterramento da área de trabalho usando o trapézio tipo sela deve ser considerado como uma opção mais segura.
1. Por que o aterramento temporário é indispensável?
Mesmo quando a rede é desligada, diversos fatores podem energizá-la de forma inesperada:
- Erro operacional de manobra
- Proximidade com outros circuitos energizados
- Indução eletromagnética de linhas adjacentes
- Descargas atmosféricas distantes
- Alimentações externas desconhecidas
Esses fenômenos carregam energia suficiente para provocar fibrilação ventricular, queimaduras severas ou morte instantânea dependendo da amplitude da corrente.
Por isso, a NR-10 determina que nenhuma instalação deve ser considerada desenergizada antes da instalação do conjunto de aterramento temporário.
O aterramento temporário precisa:
- Limitar tensões perigosas no local de trabalho
- Conduzir a máxima corrente de curto-circuito pelo tempo necessário à atuação do sistema de proteção
- Garantir equipotencialização, reduzindo diferenças de potencial entre o eletricista e a estrutura
A grande questão é: nem todas as configurações de ATR garantem o mesmo nível de proteção.
2. O problema das configurações tradicionais de aterramento
Em uma rede trifásica sem neutro, a configuração tradicional mais comum consiste em conectar as três fases a um único cabo de descida ligado ao trado de aterramento (Fig. 13A).

Fig. 13A – Configuração de aterramento temporário com interligação das fases a um único cabo de descida para terra
Embora amplamente utilizada, essa configuração apresenta limitações importantes em redes onde não há condutor neutro e a resistividade do solo e/ou aterramento do poste são desconhecidos.
Os estudos presentes no arquivo mostram que, dependendo da resistividade do solo, a corrente que atravessa o operador pode ultrapassar facilmente o limiar de “let-go” (segundo os estudos de Dalziel, é a corrente em que o eletricista não consegue soltar o condutor) e até mesmo atingir níveis que causam fibrilação ventricular.
Em solos de 1000 a 2000 Ω·m, a configuração tradicional pode ser insuficiente para proteger a vida do trabalhador, especialmente em curtos-circuitos acima de 5 kA e com proteções lentas.
Esses riscos justificam a adoção de uma configuração mais segura: o uso do trapézio tipo sela para equipotencializar a área de trabalho.
3. O trapézio tipo sela e a equipotencialização
O trapézio tipo sela é instalado diretamente na estrutura (poste de madeira, concreto ou metálico). Ele cria um ponto intermediário de aterramento, permitindo que:
- A área de trabalho seja “jumpeada”
- As três fases sejam interligadas entre si e ao próprio poste
- A diferença de potencial entre operador, estrutura e condutores seja reduzida praticamente a zero

Fig. 13B – Configuração de aterramento temporário, com ponto intermediário de aterramento na estrutura (via trapézio tipo sela)
Essa configuração (Fig. 13B) coloca o eletricista em paralelo somente com os cabos garantindo que a maior parte da corrente de falta flua pelo caminho de menor impedância (cabo + trapézio tipo sela) e não pelo corpo do trabalhador
4. Por que a configuração com trapézio tipo sela é objetivamente mais segura?
Na configuração tradicional, o operador pode ficar parcialmente em série ou em paralelo com resistências elevadas (poste, barramento, solo). Isso cria percursos de corrente potencialmente perigosos.
Com o trapézio tipo sela, o operador está em paralelo somente com o cabo jumper.

Circuitos equivalentes das configurações ATR mostradas nas figuras 13A e 13B respectivamente
A resistividade do solo é altamente variável e imprevisível, podendo ir de 100 Ω·m a mais de 3000 Ω·m dependendo da umidade, tipo de terreno e profundidade.
Na configuração com trapézio tipo sela, a resistividade do solo e a qualidade do aterramento do poste tem pouca influência (ou nenhuma, considerando um cenário ideal).
Nota-se que, com o aumento da corrente de curto-circuito e resistividade do solo, o tempo máximo requerido para atuação da proteção diminui.
5. Por que o trapézio tipo sela é essencial para redes sem condutor neutro?
O trapézio tipo sela proporciona um aterramento temporário seguro, estável e capaz de proteger vidas mesmo em condições adversas.
Recomenda-se explicitamente o uso do trapézio tipo sela sempre que:
- não houver condutor neutro,
- as condições do terreno forem desconhecidas,
- o poste tiver aterramento duvidoso,
- ou quando a área de trabalho exigir equipotencialização total.
Fabricante especializado, a Ritz, reforça que o trapézio tipo sela aumenta a rigidez mecânica do sistema, controlando o efeito chicote do cabo jumper em caso de curto-circuito.
Por isso, o trapézio tipo sela não é apenas um acessório, mas uma parte crítica de qualquer procedimento de aterramento seguro.
Acesse aqui o documento completo: https://fiquepordentro.ritzbrasil.com/atr-trapezio-tipo-sela













